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Justiça suspende liminar e Tifanny volta a ficar fora da Superliga pelo Osasco

25/10/2026 às 11:27 • 4 min de leitura

Linha fina: Decisões da Justiça Desportiva e do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro restabelecem impedimento à participação da atleta na competição; defesa pretende recorrer.

Por Redação Mais Torcedor | 25 de outubro de 2026

A jogadora Tifanny Abreu, do Osasco São Cristóvão Saúde, voltou a ficar impedida de disputar a Superliga Feminina de Vôlei 2026/2027. Na sexta-feira (23), duas decisões desfavoráveis à atleta alteraram sua situação jurídica: o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) do Voleibol manteve, por unanimidade, os critérios de elegibilidade estabelecidos pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), enquanto o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) suspendeu a liminar que autorizava sua participação.

Com isso, a oposta de 41 anos perdeu a autorização provisória que havia permitido sua presença na Supercopa Feminina e na estreia do Osasco na Superliga. A defesa informou que pretende continuar buscando a liberação da jogadora na Justiça.

Entenda a decisão que impede Tifanny de jogar

A controvérsia começou após a CBV anunciar, em agosto de 2026, uma mudança em sua política de elegibilidade para as competições femininas.

Pelas novas regras, as atletas precisam atender a critérios que incluem a apresentação de exame genético com resultado negativo para o gene SRY, associado ao desenvolvimento sexual masculino.

A alteração afetou diretamente Tifanny, primeira mulher transgênero a disputar a elite do voleibol feminino brasileiro, em 2017, e que atualmente defende o Osasco.

Ao analisar o caso, a Justiça Desportiva reconheceu a competência da CBV para estabelecer e atualizar os critérios de participação em suas competições.

O tribunal considerou que o histórico de participação da jogadora, seu contrato profissional e as regulamentações internacionais anteriormente aplicadas não afastam, por si só, a autonomia da entidade para modificar suas normas.

Liminar havia permitido título da Supercopa

Em 16 de outubro, Tifanny conseguiu uma liminar na Justiça comum que autorizava provisoriamente sua participação nas competições organizadas pela CBV.

A decisão foi concedida poucas horas antes da final da Supercopa Feminina, disputada entre Osasco e Praia Clube, em São Luís, no Maranhão.

Liberada para entrar em quadra, a atleta participou da vitória por 3 sets a 0, que garantiu ao Osasco o título da competição. Tifanny marcou 15 pontos e foi eleita a melhor jogadora da decisão.

Posteriormente, também participou da estreia do Osasco na Superliga, na vitória sobre o Brasília.

A situação mudou na sexta-feira (23), quando a Justiça Desportiva manteve o impedimento e o TJ-RJ suspendeu a autorização provisória.

O que alegam a CBV e a defesa da atleta?

A CBV sustenta que sua política de elegibilidade busca alinhar as competições nacionais às diretrizes esportivas internacionais.

Em comunicado divulgado após as decisões, a entidade reafirmou que a regulamentação possui caráter geral e declarou seu compromisso com o respeito e a dignidade de todas as atletas.

Já a defesa de Tifanny argumenta que a jogadora vinha participando regularmente das competições nacionais havia anos, possuía contrato profissional vigente e havia recebido autorização para competir anteriormente.

Os advogados também questionam os efeitos da mudança de critérios sobre uma atleta com trajetória consolidada no voleibol brasileiro.

No Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, a suspensão da liminar foi fundamentada no artigo 217 da Constituição Federal, que prevê o esgotamento das instâncias da Justiça Desportiva antes da análise judicial de determinadas controvérsias relativas a competições esportivas.

A defesa informou que pretende pedir a reavaliação da decisão e prosseguir com as medidas judiciais disponíveis.

Qual é a situação de Tifanny no Osasco?

Tifanny está em sua sexta temporada pelo Osasco e integra uma geração que conquistou títulos importantes para o clube, incluindo a Superliga, o Campeonato Paulista e a Supercopa.

A nova decisão representa um desfalque esportivo para a equipe, que iniciou a temporada 2026/2027 com resultados positivos.

Embora permaneça vinculada ao clube, a atleta está impedida de participar das competições da CBV enquanto as decisões atuais permanecerem em vigor.

O caso ainda poderá ter novos capítulos, já que a defesa anunciou a intenção de recorrer.

Debate ultrapassa as quadras

A situação de Tifanny também reacende o debate sobre a participação de mulheres transgênero no esporte de alto rendimento.

De um lado, entidades esportivas defendem critérios de elegibilidade voltados à equidade competitiva nas categorias femininas. De outro, atletas e organizações de direitos humanos questionam os impactos dessas restrições sobre a inclusão, a igualdade de tratamento e a continuidade das carreiras esportivas.

O tema envolve aspectos jurídicos, científicos e esportivos, e permanece objeto de controvérsia.

Enquanto aguarda os próximos desdobramentos, Tifanny segue vinculada ao Osasco, clube pelo qual construiu parte importante de sua trajetória no voleibol nacional.

O Portal Mais Torcedor continuará acompanhando os desdobramentos do caso e seus reflexos sobre a temporada do Osasco Vôlei.